quinta-feira, 23 de novembro de 2017

NILSE BERNAL DE SOUZA FRAGOSO - MORTE E PERSPECTIVA DE VIDA

MORTE E PERSPECTIVA DE VIDA

Muitos de nós ouvimos todos os dias anúncios de mortes. E no dia de finados pessoas  se entristecem ao lembrar de tantas vidas preciosas, que não estão mais ao nosso lado. Embora haja um dia para demonstrar nossas tristezas, elas estão presentes, a cada manhã no ciclo da vida. Não é fácil viver com o peso da perda. A dor é imensa e desesperadora.
Choramos, só nos resta chorar e lamentar, até que a última gota seque.
Contudo,  podemos encontrar consolo e esperança no sorriso de uma criança, que vem ao mundo, trazendo novidade de vida. Ninguém substitui ninguém, mas pode minimizar nossa dor.
O abraço amigo, a certeza que cada um tem um propósito diante de Deus, nessa tão aflitiva caminhada.
Sentir que as palavras e a vivência com alguém especial fica viva em nossos corações. As frases ditas os conselhos dados e o amor recebido são marcos e exemplo para dividirmos com outros que sofrem, isso nos ajuda a seguir  em frente. Valorize hoje quem está do seu lado, porque o amanhã pertence a Deus.
Releve, ame, perdoe, faça esse mundo, onde somos meros passageiros,  melhor.

A vida é fugaz, mas o amor prevalecerá sobre todas as coisas.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

SOLANGE VICENTINI T. MÖSSENBÖCK - A MORTE E AS EXPECTATIVAS DA VIDA

 A MORTE E AS EXPECTATIVAS DA VIDA
Solange Vicentini Tavares Mössenböck
Já pensei muitas vezes quando vou morrer. Lembro-me que perguntei à minha mãe diversas vezes quando era menina, por que esta dúvida sempre me acompanhou.
Quando estou feliz não me lembro da morte, vejo o mundo em sua exuberância, me oferecendo sonhos. Quando bate a depressão sim, penso nela. Às vezes até a quero como companheira, mas sei lá no fundo de meus pensamentos é por algum ato dramático, por que desejo ser semente, não imortal, mas uma semente bem guardada, de vida latente que se nutre a cada momento de amor e esperanças afugentando a morte.
Quando muito jovem, bobinha e ingênua, caí na conversa de adolescentes cabeças vazias. Era moda usar uma gilete e cortar a pele bem leve e gravar ali o nome do namorado.
Eu não tinha namorado, então cortei minha pele com a palavra MORTE seguida de um ponto de interrogação e depois, molhei a superfície com tinta Nanquim. Era assim a tal moda daqueles tempos, a precursora das tatuagens modernas.
Levei uma surra homérica de minha mãe que estava recém operada, com prognóstico ruim. Gritou comigo dizendo:
-Estou à beira da morte e luto para viver e você faz uma bobagem deste tamanho?
 Ela também era dramática como toda boa mãe de origem italiana. Tive de tomar banhos e banhos com água oxigenada e esfregar a pele até queimar, mas valeu a experiência e a lição. Nunca mais tive dúvidas nem usei a primitiva arte tão em moda entre os cabeças ocas da época. Ninguém se casou com o namorado marcado e pouco tempo depois, a moda era outra.
Me parece que não nos preocupamos com a morte até ela entrar em nossa intimidade fazendo estragos, levando familiares e amigos. Eu em meus momentos normais não me lembro dela.
Lembro-me das pessoas que foram embora, que me deixaram com saudades, cavando um grande rombo em meu coração. Meus parentes queridos, meus amigos, até meus animais de estimação: cachorros, gatos, papagaio e a Aurora, minha linda arara vítima da gulodice de meus cães. Eles  fizeram falta por muito tempo, depois o cimento da vida foi juntando os espaços e a saudade ficou encarcerada dentro de mim.
Não gosto de pensar na morte, penso no sol, no céu azul, na lua cheia, todos produzindo energias e sentimentos bons que me enchem de ida.
Nos dias de finados, nunca fui visitar meus queridos no cemitério, os que já se foram. Prefiro conversar com eles em outros dias e procuro não chorar. Mantenho meu monólogo, pergunto se andam fofocando muito, compartilhando receitas, fazendo tricô, se estão alegres por terem se encontrado.
Saio mais leve, como se estado em suas casas depois de um cafezinho.
Não sei quanto tempo vou viver, não sei como é a morte. Procuro viver a vida com decência, acredito que todos temos um papel importante para desenvolver, deixando para nossos semelhantes o melhor que temos para que continuem na trilha certa.
Estes dias li n internet a notícia de que cientistas comprovam a existência da alma e que ela é imortal, são feitas de energia infinita. Então, percebo que o diálogo com meus queridos que já se foram, pode ser feito em todos os momentos, sem necessidade de dia marcado ou na presença de suas tumbas no cemitério.
Eles me fazem falta, chorei muito com a morte de meus parentes, me senti uma desamparada órfã aos quarenta anos quando perdi minha mãe. Naqueles dias e até agora sinto na pele que não há idade para a orfandade, que perder nossos pais ou nossos queridos nos traz sentimentos de solidão e tristeza que são inconsoláveis.
Os mexicanos tratam da morte nos dias de finados de uma maneira totalmente diferente de nós. Fazem rituais festivos, como seus ancestrais pré-colombianos. Enfeitam as casas, sacadas, ruas, árvores, postes, tudo fica multicolorido e alegre musicado com suas mariachis e salsas. Dançam e cantam, poetizam a morte de forma festiva.
Ali, caveiras e fantasmas não assustam criancinhas. Ficam livres deste pesadelo que assombra o imaginário popular de muitos povos. Penso que devo olhar com mais atenção a irreverencia do povo mexicano ao enfrentar a morte de forma tão natural e festiva.
Para eles, foram-se os tempos das carpideiras, dos lutos fechados, das viúvas condenadas à morte e enterradas junto aos maridos. Me parece uma sabedoria bastante própria para conviver com as perdas de forma mais leve.
Graças a muitas coisas e obras, estes tempos negros acabaram embora a morte esteja presente a cada milésimo de segundo na vida de todos os seres vivos neste mundo afora.




quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Vera Lúcia de Angelis - Mestres da dedicação

MESTRES DA DEDICAÇÃO

Até o final da vida , mesmo após 75 anos, ela se lembrava dos nomes das duas professoras que a acolheram nas terras da cidade de Sertãozinho. Numa das fazendas de café onde sua família trabalhava , como tantas outras de colonos.
Nunca sentiu saudades da vida na roça porque era muito dura. Mas recordava com amor das professoras e das aulas que tinha, pela metade, porque precisava esperar a mãe voltar de levar o almoço para os homens na roça, enquanto ela cuidava do seu irmão caçula bebê.
Passou a frequentar as aulas a partir do horário do recreio que tinha que perder para copiar a lição da primeira parte da aula. Às vezes a delicadeza da professora permitia que ela brincasse um pouco com as crianças. Afinal, o lúdico também faz parte do aprendizado. Sem contar que a menina não tinha dificuldades para aprender. Em outras emprestava livros para a aluna ler em casa e permitia que lesse em voz alta nas aulas, porque ela adorava.
O frio na barriga que sentia por ter de cruzar o pasto onde os bois eram soltos, após a passagem das crianças para escola, era dificuldade que somente ela enfrentava porque ia mais tarde. Eles eram mansos e não causavam perigo, mas para ela era atemorizante passar por eles. Também lembrava-se de seus nomes: Galante e Gabinete, certamente alheios ao receio que a acometia todo dia na hora de passar pelo pasto.
O preço do medo era bem pago pela alegria de aprender a ler que ela sempre valorizou, principalmente no apreço com a educação escolar das três filhas. Junto ao esposo garantiu que elas estudassem ensinando-lhes o valor devido das escolas e dos professores. Não estudou mais, porém dizia que aprendeu muito acompanhando as lições e trabalhos escolares das meninas.
Como as filhas responderam bem às expectativas acredita-se que tenha sentido o gosto de missão cumprida, até com as duas netas que seguiram o mesmo caminho.
Nesta semana viajei entre canaviais de uma cidade de São Paulo, chamada Tapiratiba, beirando o estado de Minas, divisa com a cidade de Guaxupé, para conhecer uma creche que abriga e ensina filhos de colonos que a frequentam nos períodos de colheita.
Vi bois como a menina descrita no início do texto, mas não precisei ter medo deles. Apenas fotografei e apreciei seus gestos lentos nas pastagens rodeadas pelas montanhas verdejantes que engrandecem a paisagem e acolhem pés de cafés, nesse dia floridos.
Na creche vi crianças que não vão para a roça e tem uma vida diferente dessa menina, mas levam uma vida simples que as professoras e funcionárias de lá tentam melhorar oferecendo-lhes amor e dedicação ensinando, principalmente, a disciplina necessária para que cresçam sabendo respeitar a si próprias e ao semelhante.
Fiquei tão gratificada de conhecer o trabalho dessas professoras e outras funcionárias de lá, que resolvi incluí-las aqui no meu texto pensando em outras desse nosso Brasil afora que devem viver mais dificuldades ainda para desenvolver essa profissão que é tão linda quando se exerce com amor e dignidade.

Vera Lúcia de Angelis

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Texto do Sr. "Zico da Caixa" sobre o tema CASA de setembro/2017


O "Sr. Zico da caixa", como é chamado, nos presenteou com o texto abaixo,baseado no tema literário de setembro/2017 - CASA.


A S A 

            Nossa língua é mesmo rica em sinônimos, figuras de retórica, neologismo e um sem número de palavras parecidas, o que deixa os estrangeiros que pretendem estuda-la atrapalhados na hora de aplicar a gramática.

            Querer enumerar aqui as dificuldades que se apresentam aos que querem conhecer melhor esta “última flor do Lacio, inculta e bela”, como disse o bardo lusitano chega a ser um truísmo, tanto são elas e tanto são proclamadas nas escolas, na mídia, seja escrita, falada ou televisiva.

            Assim sendo, seria temeridade de parte de um escrevinhador de crônicas de um jornal interiorano querer dar uma opinião, ou criticar este ou aquele que às vezes por um simples descuido cometeu um erro de gramatica, aliás, hoje com a internet, os smartphones e cia. bela o emprego, ao escrever ou falar um português castiço “já era”. Vale tudo, ajam vistas para as barbaridades pronunciadas por pessoas de elevados cargos administrativos, portadores de diplomas e títulos universitários, líderes políticos, apresentadores de televisão, etc, e até mesmo um ex-presidente da República e alguns de seus “cumpanheiros”.

            Isto dito, passo a enumerar o que significa o despretensioso termo “CASA”, que tanto serve para designar a moradia de alguém como a fendazinha da roupa por onde entrar o botão que irá fixar convenientemente uma peça de vestuário; dar a medida confortável exata para a apertura de um cinto; mostrar a localização dos diversos estágios de um jogo de salão, como o xadrez, o ludo, a trilha e outros, forante os que, com certeza tenha escapado a este meu pinçamento.

            Temos também a expressão “casa bem com”, como por exemplo quando dizemos “o azul casa bem com o rosa neste vestido”; na conhecidíssima frase “quem casa quer casa”, ou ainda a ameaça já ouvida por muitos don juans de araque “ou você agora casa com minha filha, ou mando-o para o inferno já, já”; ou como propaganda comercial “compre na casa tal, esteja à vontade, como se estivesse em sua própria casa”.

            Como se vê, é praticamente impossível enumerar todas as implicações causadas pela colocação de uma simples palavrinha grafada convenientemente num texto qualquer. Não sendo de admirar, pois, que os “gringos” queixem-se de que o português, principalmente o do Brasil, seja um bicho de sete cabeças para eles.



Por Lázaro Sylvio de Almeida Franco, o Zico da Caixa

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Texto de Eliana Giabani sobre o tema CASA

Segue abaixo o texto de Eliana Giabani, que ela escreveu e apresentou no Chá Cultural de setembro sobre Casa. 
"Ah, como é bom estar em casa!
Quantas vezes já dissemos esta frase? 
Quando chegamos do trabalho, do mercado, de um passeio. 
Casa tem como significado edificação. 
Quando falamos minha casa, estamos falando do nosso lar onde moramos com nossa família e temos nosso conforto. 
Como dizia meu priminho aos dois anos "quero ir para a minha casinha", quando estava cansado ou entediado. 
Quando estamos viajando para fora do país, na volta ao chegarmos, sentimo-nos "em casa". 
Estar em casa significa voltar ao nosso pequeno país, nossa intimidade, onde temos nossa maneira particular de ser o que convenhamos é muito bom. 
Estar em casa também significa estar em uma reunião de pessoas com pensamentos semelhantes, como aqui na Aepti. 
Então, estamos em casa!".

                                                                                                Eliana Giabani

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Vera Lúcia de Angelis - OS ALICERCES CONQUISTADOS


OS ALICERCES CONQUISTADOS

Uma casa com luxo e toda comodidade desejada, nem sempre é garantia de felicidade.
Uma casa repleta de amor, cumplicidade e verdade, mas sem conforto pode também não ser suficiente para a felicidade.
Na verdade somos seres humanos com necessidades e complicações que atrapalham a valorização do que temos ou conquistamos.
Há aqueles que têm a habilidade para tirar leite de pedras e os que têm do bom e do melhor, mas não tem a sabedoria para transformar a comodidade em felicidade.
Uma casa há de ter conforto, independente das posses ou de luxo.
Há de ter um jardim para aqueles que privilegiam as flores.
Há de ter paredes sólidas para os mais precavidos.
Há de ter amor para os que trocam tudo pela harmonia de um lar bem construído.
Muitas vezes independe da casa como construção. Quando estamos tristes não há flores, nem pássaros, nem luxo que amenize as dores.
Noutras vezes as belezas e os bens materiais podem distrair dos problemas.
Porque tudo está associado às expectativas de cada um e a forma como se lida com elas.
Há os que lutam para conquistar o que sonham.
Há os que passam a vida olhando para o que não tem e se lamentando.
O que nos resta é construir alicerces dentro de nós mesmos para driblar as dificuldades e sair à luta.
A história da minha família mesmo, que é comum, mas para mim é um exemplo de conquista.
Meu pai deixou o bairro da Penha, na Zona leste de São Paulo, com progresso de ruas pavimentadas e iluminadas (tinha até um cinema na rua, há mais de 65 anos atrás) para vivermos num bairro novo em região distante: norte/oeste, onde conseguiu comprar um terreno que foi diminuindo conforme a casa foi crescendo. Primeiro quarto e cozinha, depois a sala, depois outro quarto, etc.
A casa avançando no terreno comprido, sem projetos, mas funcional às nossas necessidades.
Quanta areia e tijolos nós crianças e muitas outras do bairro ajudamos a carregar em troca de doces da venda, com muita festa e alegria, para nossa casa ou de outros.
Vimos chegar as guias, depois as sarjetas e bem depois o asfalto. Água de rua então bem mais tarde.
Mas a casa era pintada todo ano quando se aproximava o Natal, por obra de todos. Pais e filhas e a lembrança de lavar o quintal, já anoitecendo, quando terminava o serviço.
Impossível esquecer e não comemorar essas lembranças.
Essa casa que meu pai deixou de herança  ficou alugada durante uns anos e a renda dividida entre as filhas para finalmente ser vendida, sem remorso nem dor porque o amor continuou na gente na casa que cada uma das filhas conquistou. No dinheiro da venda, muito bem recebido e distribuído, veio também o amor da herança, além da harmonia entre nós que é mais valiosa que qualquer imóvel.
Acabo sempre meus textos com a fala do amor porque acredito nele, apesar de tudo de amargo que a vida nos ensina, mais para uns do que para outros.
E feliz de quem tem uma casa sua para arrumar, enfeitar e, acima de tudo ter amigos e parentes para poder compartilhar. Ou histórias felizes como da nossa casa que tenho de herança e orgulho para contar.
Vera Lúcia de Angelis



segunda-feira, 28 de agosto de 2017

TATIANA ROSTAISER PETTI - FIDELIDADE E FELICIDADE

Fidelidade e Felicidade

Por Tatiana Rostaiser Petti

Fidelidade se parece com felicidade. É só trocar um D por um C, alterar a posição do L e de duas vogais e pronto. Não só neste jogo de palavras, mas no jogo da vida também é assim.
A felicidade, acredite, vem quando se é fiel. Fiel com suas crenças – que podem sim se transformar com o passar dos anos e das experiências vividas e compartilhadas.
No Dia da Mulher, deparei-me com uma amiga citando várias das suas e listando o que aprendeu com cada uma. Eis a surpresa ao me encontrar na lista: “Agradeço minha amada Tati Petti por ser tão fiel aos seus valores”.
Então, a tal da fidelidade ser respeitada fez ainda mais sentido ao me deparar com o seguinte conceito: “A fidelidade a você mesmo é garantia da integridade da sua trajetória e também garantia da sua confiança em você. A fidelidade, que é respeito ao passado, acaba costurando relações de confiança e, com certeza, garantirão o seu futuro”. São palavras do filósofo Clóvis de Barros Filho em palestra em Itatiba no último mês.
A questão é: você tem sido fiel a você mesmo?
Deixe a fidelidade resultar em felicidade